O conflito que opôs o MPLA à UNITA (no período compreendido entre 1975 e 1991) teve como base o modelo de Estado e de governação implantando pelo partido no poder, que excluiu largas camadas da população da vida política, económica e social do País.
Os empresários ou aspirantes a empresários, os religiosos, os camponeses, as autoridades tradicionais, certas camadas intelectuais fazem parte desse largo espectro de excluídos. Embora não sendo uma guerra étnica, largas camadas de pessoas de fala umbundu não se reviram culturalmente no projecto governamental e aderiram à UNITA; apesar disso, as pessoas de fala umbundu constituíram sempre a maioria dos soldados dos dois exércitos, o MPLA e a UNITA. A recusa da UNITA em aceitar os resultados das eleições em 1992 e a sua decisão de fazer novamente a guerra constituíram o factor preponderante para a nova fase do conflito.
O acesso do Galo Negro a fabulosas riquezas em diamantes proporcionou o conflito permitindo à UNITA desenvolver ainda mais o seu exército. Por outro lado, foi possivelmente também o controlo das riquezas petrolíferas por parte do Governo (MPLA) que permitiu que este se defendesse e mantivesse a unidade do País. Assim, podemos concluir que, diamantes e petróleo não foram a causa do conflito como algumas teorias defendem, mas instrumentos.
Terminado o conflito militar, o MPLA poderá ser dilacerado por uma série de divisões irreversíveis. Quanto à UNITA, fica a interrogação, se ainda terá algum futuro político no País após a sucessão de erros cometidos depois das eleições de 1992 e da assinatura do Protocolo de Lusaka em 1994.
Os processos de adaptação brusca e as condições em que a mesma se opera, a actuação dentro de novas regras de jogo, não são tarefas fáceis para o Galo Negro, resta saber se ainda terão condições para ultrapassar as dificuldades em que se encontram mergulhados, nomeadamente no que diz respeito ao problema da liderança, correcção da imagem e restabelecimento das sua estruturas no País.
4 Comments:
Ou seja, qual o futuro político de Angola? Como se vão adaptar aos tempos de paz as duas máquinas desenvolvidas e alimentadas pela guerra? Não conheço, devido ao meu afastamento de tão longos e dolorosos anos, a realidade angolana mas uma ideia me surge: tal como eu e muitos irmãos nascidos na nossa terra, angola deve recuperar o tempo perdido. O futuro dos continentes é previsível: uma Ásia a abarrotar, uma América devastada pelos fenómenos da natureza, uma Europa esgotada e uma África novamente receptora. Quantos não correrão quando ouvirem uma voz desse lado dizer "seja bemvindo quem vier por bem"
Seria essa a sorte de Angola ter uma voz de bem que chamasse todos os que realmente amam esta terra. Mas outras vozes se levantam.
Acredito que um dia essas outras vozes vão perceber que só com a ajuda de fora poderão continuar a "emitir sons".
Fiz parte de uma ONG aqui em Portugal, que se propunha apoiar os PALOP. Tive ocasião num congresso aqui no Porto com estudantes universitários dos PALOP, de levantar uma questão na altura bastante aplaudida, apesar de utópica como reconheço: porque é que os governos africanos não aproveitam as oportunidades que se lhes deparam com a entrada de empresas estrangeiras nos seus países para impor condições que sejam realmente benéficas para os países. "Querem abrir cá uma filial? Sim, senhores, mas primeiro contribuam para o desenvolvimento deste país construindo uma escola, um hospital, um centro de apoio a desalojados, etc.
Mas já sei que muitos me dirão: pois, e o Pai Natal também vem?
Oxalá os poderosos quisessem pensar nisto, porque eles têm uma coisa que não merecem: milhões a amar o país que eles "governam".
Mas o Pai Natal sempre vai aparecendo!!! Umas vezes traz o saco mais cheio, outras vezes mais vazio...e nele eu acredito!!!!
Enviar um comentário
<< Home